Coletivo de grupos e criadores independentes das artes cênicas em Recife, Pernambuco. Nasceu da necessidade de diálogo entre os artistas sobre as linguagens cênicas, buscando a manutenção dos trabalhos de pesquisa e investigação teatral.

Em encontros semanais são realizadas vivências práticas e teóricas sobre a reflexão e o questionamento do fazer teatral contemporâneo em seus aspectos poéticos, estéticos e políticos.

Traga sua experiência também!

Encontros semanais

TODAS AS TERÇAS, ÀS 19H!
No Espaço Compassos
Rua da Moeda, 93, 1º andar, Bairro do Recife. (Entrada pela Rua Mariz de Barros – casa rosa com janelas amarelas)

Como participar:

1º passo: Procure um dos membros das Comissões através do email: colaborativopermanencia@gmail.com;

2º passo: Apareça para conhecer as atividades do coletivo, nos encontros semanais das terças-feiras.

28 de nov. de 2008

Imagens da "Próxima Quarta! O Cabaret"

Algumas imagens da Festa "Próxima Quarta! O Cabaret" organizada pelo Colaborativo Permanência nas dependências do CPT - Centro de Pesquisa Teatral - Recife, na quarta feira 26 de novembro.
Mais em http://www.flickr.com/photos/orlandonascimento/show/













Mais em http://www.flickr.com/photos/orlandonascimento/show/

18 de nov. de 2008

Iluminasom

Olá Pessoas!!!
Semana passada foi dia de mostrar os resultados de um experimento com luz e som que fiz com Adriana Madasil, num projeto nosso que batizamos de Iluminasom.
Quando nos conhecemos no projeto Geografia da Palavra, lá nas dependências da FUNARTE –SP (pois é, não nos conhecíamos aqui), papeamos bastante sobre Iluminação e Sonoplastia. Principalmente no que se refere a possibilidades acerca dos temas e a falta de reconhecimento do publico e de algumas pessoas das áreas cênicas, sobre o caráter artístico e conceitual destas linguagens, muitas vezes tidas apenas e meramente como técnicas e de apoio.
Daí, conversa vai e conversa vem, quando ela voltou para Recife, passou esses nossos papos para o papel e fomentou um trabalho para a Disciplina de Animação Cultural do curso de Cênicas da UFPE. E nos encontramos durante toda a primeira semana deste mês de novembro no Teatro Joaquim Cardoso, para colocarmos as idéias em prática.
Vejam aí algumas imagens dos primeiros resultados dessa pesquisa, que temos intenção de ampliar e garantir daqui para frente dentre nossos projetos pessoais.
Um grande abraço!
Muita paz, luz e som!
Orlando Nascimento

7 de nov. de 2008

Kleber Lourenço circula pelo Norte e Nordeste


Amigos, estarei circulando com meus dois espetáculos solos pelo norte e nordeste. Em alguns lugares ministrarei oficinas. Escreverei contando sobre as apresentações. Quem puder assista! Vejam o banner de divulgação.


abração.

Kleber Lourenço.

Pernambuco no Próximo ATO em SP.

Esta semana estará acontecendo em São Paulo uma nova edição do “Próximo Ato” – Encontro Internacional de Teatro Contemporâneo - promovido pelo Itaú Cultural. Pernambuco estará sendo representado por Eli Maria (Cia. Santa Fogo/Colaborativo Permanência) e Ana Elizabete Japiá (Marco Zero) que estarão levando as propostas temáticas e sugestões de ações pensadas a partir da edição que aconteceu em Recife no início de outubro e que vem sendo pauta nas discussões promovidas pelo Colaborativo Permanência.
A representação de PE tem como intuito intercambiar pensamentos refletidos pelos artistas da cidade com os artistas de outras regiões do Brasil; ampliar o espaço de atuação dos mesmos através da formação de uma rede nacional que atua na pesquisa, criação, treinamento do ator, no registro histórico das diversas cenas teatrais e na ação política para a melhoria das condições de trabalho específicas da categoria teatro de grupo e pesquisa, fazendo-se presente no tempo-hoje da reflexão sobre os dilemas do teatro na contemporaneidade e no lugar-cenário nacional que expresse as diversas formas (estéticas e poéticas) dos diversos grupos e artistas do Brasil.

Por
Eli Maria

31 de out. de 2008

Atividade de Novembro do Colaborativo Permanência

Olá, Gente!

Demos início, na última quarta-feira, à vivência com Ana Helena Politschuk (acho que é assim que se escreve!). Bem, erros à parte, a vivência é focada em técnicas de improvisação, com as quais Ana Helena teve contato em suas estadia em Belo Horizonte, sob o direcionamento pedagógico do Grupo Galpão.

Numa noite agradabilíssima, Ana aplicou exercícios que nos colocaram em situação de jogo e conexão com o outro. Podemos ver como este tipo de prática pode auxiliar no trabalho do ator e na construção de uma dramaturgia coletiva. Não deixem de participar, vale muito à pena!

Grande Abraço

Carlos Ferrera

6 de out. de 2008

Curso em Cenotecnia

Você sabia que esta acontecendo um curso que oferece formação técnica em audiovisual, multimídia, fotografia digital e cenotecnia para 108 estudantes de escola pública moradores de regiões de baixo desenvolvimento econômico das cidades de Recife e Olinda na Biblioteca Central da UFPE? Pois é! Os encontros começaram desde o inicio deste ano, primeiramente com aulas de física, matemática, inglês, português, informática, história da arte e da cultura pernambucana, além de ética e cidadania na arte, como apoio para as linguagens oferecidas. Orlando Nascimento esta compondo a equipe de Cenotecnia que tem a coordenação de Marcondes Lima. O curso tem a cargo/horária de 400 horas; o Instituto de Pesquisas Sociais Aplicadas (IPSA) como órgão executor do projeto e patrocínio da FUNDARPE.

24 de set. de 2008

Próximo Ato Recife!

Nesta segunda-feira, 29, o Próximo Ato - Encontro Internacional de Teatro Contemporâneo chega ao Recife (PE). A 6ª edição do evento, realizada este ano, abriu seu ciclo de atividades em Belo Horizonte (MG) e passa ainda por Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP).

Em Pernambuco, representantes de grupos de teatro e interessados poderão participar de troca de experiências e debates sobre os caminhos do teatro coletivo no Brasil. O evento conta com o apoio do Consulado Geral da França em São Paulo e Recife.

No site permanente do Próximo Ato é possível conferir textos de especialistas no assunto, além do histórico das edições anteriores. O blog, com conteúdo atualizado durante o evento deste ano, abre espaço para opiniões, sugestões, fotos e matérias relacionadas ao encontro. Acesse!
Confira a programação no Recife:

segunda 29 19h
abertura do evento com a presença dos grupos de teatro do Nordeste (Teatro Apolo)*
terça 30 9h30
compartilhamento de metodologias de criação com representantes dos grupos convidados (Teatro Armazém 14)
15h espaço abertofórum com grupos (Teatro Armazém 14)
19h30 mesa Experiência e Forma com Jean-Pierre Thibaudat (França) e Kil Abreu (Brasil) (Teatro Apolo)*
quarta 1 9h30
compartilhamento de metodologias de criaçãocom representantes dos grupos convidados (Centro de Pesquisa Teatral do Recife e Teatro Armazém 14)
15h espaço abertofórum com grupos (Teatro Armazém 14)
19h30 encerramentocom Kil Abreu (Brasil), Jean-Pierre Thibaudat (França) e participação virtual de grupos do Sudeste (Teatro Apolo)

** apenas as atividades da noite serão abertas ao público - teatro com capacidade para 200 pessoas

Teatro Apolo Rua do Apolo 121 Recife Antigo
informações 81 3232 2030

Centro de Pesquisa Teatral do Recife (CPT) Travessa do Amorim 66 Recife Antigo
informações 81 3083 0600

Teatro Armazém 14 Avenida Alfredo Lisboa Cais do Porto
informações 81 3424 5613

11 de set. de 2008

Caminhos autorais para a construção da presença cênica

Considerações sobre a vivência proposta pelo Núcleo Viventes em maio de 2008:
 
O foco de nossa vivência foi a proposição de possíveis caminhos para a construção de um corpo expressivo e de uma maneira presente de estar em cena. Acreditamos em caminhos concretos tanto para a construção da presença cênica, quanto para a manutenção da organicidade, do frescor e da vida interior no corpo-artista em cena. A atividade foi dividida em três encontros práticos e um quarto reservado para a discussão da prática vivenciada. Nesses encontros foi possível aplicar de modo sucinto algumas de nossas propostas atuais.
A investigação do Núcleo Viventes se baseia principalmente na criação de caminhos para a construção de um corpo expressivo. Através de exercícios psicofísicos, buscamos uma dilatação corporal, um despertar das nossas energias potenciais adormecidas. Partindo de estímulos imagéticos, musicais, táteis e verbais, procuramos romper com a comunicação cotidiana, possibilitando que nosso corpo (psíquico e físico) vivencie estados distintos dos que são necessários para realizar as tarefas cotidianas.
Nossa formação artística é influenciada pela intensa experiência que tivemos com a metodologia do Lume (núcleo interdisciplinar de pesquisas teatrais da Unicamp), desta forma, buscamos uma dramaturgia que vem do corpo, de seus cantos, recantos e encantos. Através da exploração minuciosa da musculatura, descobrimos melodias, cores, poéticas que emanam desse nosso corpo de cada dia - o corpo cotidiano. Quando estimulado e trabalhado num contexto extra-cotidiano, descobrimos novas formas de desenhar esse corpo no espaço e no tempo.
Acreditamos em caminhos autorais de criação, deste modo, tentamos colocar os participantes em contato com modos de construção de um fazer pessoal. Nossa proposta passa sobretudo pela construção de um sentido pessoal de cada um para com sua prática. Essa proposta de trabalho se trata de um exercício de re-conexão, uma busca por memórias musculares afetivas, um vasculhar interno e pessoal.


Lineu Guaraldo e Tainá Barreto

Núcleo Viventes de pesquisas e criação

A voz em Ação na Cena - Parte 1













Estar imerso dentro das práticas e reflexões acerca da voz e de seu uso poético nas artes, é deparar-se com um vasto e sensível campo subjetivo. Costumo dizer que a voz nasce nos espaços entre o corpo e a mente, ocupa o mundo, materializando idéias e paixões.

Tanto artisticamente, como na vida cotidiana, é possível identificar três instâncias expressivas da voz humana: Vocalidade, Verbalidade e Musicalidade. Chama-se Vocalidade os fluxos sonoros que compreendem os sons relacionados aos impulsos e instintos (gemidos de dor, gritos de medo, suspiros de alívios, grunidos, entre outros). A Verbalidade diz respeito ao uso das palavras pertencentes a determinado código linguístico. E a Musicalidade é uma associação de recursos melódicos, harmônicos e rítmicos à voz, podendo abarcar o universo das Vocalidades e Verbalidades.

Lançando um olhar analítico sobre as recentes abordagens críticas de treinamentos vocais para as artes cênicas, constata-se um consenso: A produção da voz deve estar intimamente ligada a uma proposta corporal, abrangendo as três instâncias expressivas já citadas (Vocalidade, Verbalidade e Musicalidade), integrando a geografia da cena (configurações da encenação), localizando e mapeando as dinâmicas respiratórias, intensidades, timbres, tonalidades, deslocamentos, zonas de solidão e solilóquio, convívios e contracenas, instaurando no palco o habitat natural do atuante.

O treinamento vocal eficiente leva em consideração a estruturação orgânica do aparelho fonador e respiratório, correlacionando-os com todo o restante do corpo, construindo assim a consciência Corpo-Vocal.

O artista do palco deve conhecer e reconhecer seu material físico e mental (corpo e mente) direcionando-se para a construção cênica através de uma ação prévia, que chama-se "pré-para-a-ação" (preparação). Esse momento assume a característica de uma etapa formativa, onde estruturam-se os condicionamentos, os exercícios práticos e as reflexões sobre os usos e as possibilidades da voz cênica.

Orientar, em primeiro lugar, para o "manuseio" correto da respiração faz-se extremamente necessário. O total controle da respiração constitui elemento primordial para a excelência do trabalho cênico. A real noção de como manipular o ar é uma premissa para a obtenção de resultados artísticos mais consitentes. O bom artista cênico é aquele que sabe reger o fluxo de ar de dentro para fora, de fora para dentro. É aquele que rege o sopro e as palavras. É sabido que atores, performers, bailarinos, cantores e circenses, respiram muito a cima do registro cotidiano. E isso quer dizer tudo quando justifica-se a importância de uma total gerência dos mecanismos relacionados ao processo respiratório.

Na familiarização com as três partes cosntituintes da respiração (inspiração, expiração e retenção), obtém-se a capacidade de elaboração de significados poéticos e uma enorme quantidade de recursos técnicos e estilísticos, no tocante ao trato com as palavras, e com o próprio corpo em seus deslocamentos e imobilidades.

Trabalhar diretamente sobre a respiração requer uma entrega corporal. "Respirar bem na cena" compreende a atitude consciente de abrir os espaços internos do corpo inspirando o ar, retendo-o e expirando-o; cabendo durante fases de treinamento técnico ou como recurso estilístico, durante a representação ou performance, a retenção dos pulmões esvaziados depois da etapa expiratória.

Quando inspiramos, expandimos os pulmões, que inflam, e o músculo diafragma desce. Com esse abaixamento do diafragma, outros orgão sofrem um deslocamento. E quando expiramos os pulmões secam e o diafragma sobe, reposicionando a estrutura deslocada na expiração. É claro que muitos outros fenômenos acontecem numa respiração completa: sangue oxigenado corre pelo corpo propiciando a troca gasosa para as células, impulsos elétricos são estimulados, em nível cerebral, os tecidos renovam-se e expelem toxinas, etc. A respiração é um processo que integra todo o organismo em prol da manutenção vital.

Ao lidarmos artisticamente com a respiração, estamos manipulando toda uma rede microscópica de alterações internas. Respirando em cena, podemos retardar a chegada do ar nos pulmões, e com isso alterar o PH do sangue; podemos estimular as glândulas lacrimais, provocando o choro; acionar centros nervosos, responsáveis pelo riso, pela tristeza, pela libido, pela raiva, entre outros.
Pra produzir sons, palavras, gestos e movimentos em arte, respira-se com uma outra dinâmica, diversa da cotidiana. Na vida do "dia-a-dia", tendemos para o relaxamento. No palco, diferentemente, as tensões, as zonas de conflitos, evidenciam-se pelo truque, pelo efeito, pelo risco, pelo dramático, pelo cômico e pelo trágico.
Existindo uma comunhão, um padrão respiratório instaurado no ato da representação, o público e o(s) artista(s) tornam-se cúmplices. Essa cumplicidade dá-se, em grande parte, por uma frequência aeróbica vinda do espaço cênico, que leva o público para o processo cinestésisco. Quando o público não compartilha da mesma dinâmica respiratória com a cena, deflagra-se a dispersão, a desatenção. O público tem de estar dentro do jogo.
Carlos Ferrera
(Diretor/Encenador/Preparador Vocal/Cantor/Compositor/Ator/Dramaturgo)
Cia. Santa Fogo